Mesmo produzindo a própria energia, o consumidor residencial deve pagar uma quantia mínima para a distribuidora. Entender como essa cobrança funciona é importante para que o consumidor seja capaz de avaliar os orçamentos oferecidos pelas empresas de energia solar.
O custo de disponibilidade é uma quantidade mínima de energia que todo consumidor residencial de energia elétrica deve comprar mensalmente da distribuidora por estar conectado à rede. É um valor que remunera a distribuidora por disponibilizar a energia elétrica para as residências, mesmo sem haver consumo nenhum.
O valor mínimo que cada unidade consumidora deve pagar depende do tipo de ligação com a rede elétrica. Caso seja ligada a uma, duas ou três fases, deve pagar por uma quantia mínima de energia equivalente a 30, 50 ou 100 kWh, respectivamente. Por exemplo, caso um consumidor com ligação trifásica consuma 75 kWh em um determinado mês, ele paga na verdade por 100 kWh. O tipo de ligação da unidade consumidora (monofásica, bifásica ou trifásica) é indicado na fatura de energia.
A princípio esta cobrança parece injusta, mas a conexão com a rede elimina a necessidade de se investir em baterias, que são caras e possuem vida útil inferior aos demais equipamentos fotovoltaicos. Na verdade, a rede funciona como uma grande bateria, pois “armazena” o excedente de energia solar produzida durante o dia, para usá-lo durante a noite. Tudo isso é contabilizado através de um medidor bidirecional que mede tanto a energia solar injetada na rede quanto a energia elétrica consumida da rede.
Como o cliente deve comprar uma quantidade mínima de energia da distribuidora, o sistema fotovoltaico não deve ser dimensionado para atender à demanda energética total do cliente. Por exemplo, se um cliente tem um consumo mensal por volta de 400 kWh e está conectado à rede por uma ligação trifásica (custo de disponibilidade de 100 kWh), o sistema fotovoltaico deve ser dimensionado para gerar por volta de 300 kWh por mês. Se o sistema fotovoltaico for dimensionado para gerar todo o consumo (400 kWh), o sistema fotovoltaico custará cerca de 30% a mais sem nenhum benefício econômico adicional, já que 100 kWh devem ser obrigatoriamente pagos à concessionária.
Uma ressalva deve ser feita em relação ao autoconsumo remoto. Apenas o excedente de geração mensal pode ser alocado a outras unidades consumidoras. Consequentemente, o sistema fotovoltaico deverá suprir toda a demanda energética da unidade consumidora em que se encontra instalado.
Considerar média mensal é uma boa aproximação, mas não é recomendado para o dimensionamento final do sistema. Tanto a energia consumida quanto a energia gerada pelo sistema fotovoltaico variam ao longo do ano. Essa sazonalidade, juntamente com o custo de disponibilidade, deve ser considerada para o apropriado dimensionamento do sistema fotovoltaico.
Consideremos um estudo de caso real no qual o cliente com ligação trifásica, possui um consumo médio de 400 kWh e uma carga adicional durante o inverno devido ao uso de aquecedores elétricos. A irradiação solar, e consequentemente a geração de energia, também varia ao longo do ano.
O gráfico abaixo é o que se considera no cálculo aproximado usando média de consumo e geração que induz um dimensionamento de um sistema de 2,5 kWp (10 módulos de 250 Wp). O gráfico indica que o sistema fotovoltaico está sempre gerando 100 kWh a menos que a energia consumida pelo cliente, o que corresponde ao custo de disponibilidade. Logo, essa aproximação indica que toda energia solar gera valor, já que o consumo líquido está sempre igual ao custo de disponibilidade.

Perfis de consumo e geração considerados pelo dimensionamento aproximado.

Perfis de consumo e geração reais usando o dimensionamento aproximado.

Perfis de consumo e geração reais usando o dimensionamento apropriado.
Portanto, o dimensionamento da potência instalada do sistema fotovoltaico deve ser feita de forma otimizada buscando maximizar o retorno econômico do cliente, considerando o custo de disponibilidade, a sazonalidade do perfil de consumo e do perfil de geração esperado. Esse sistema terá o investimento inicial e payback reduzidos com uma geração que evita atender a demanda energética total da unidade consumidora, minimizando a geração de energia fotovoltaica excedente desnecessária devido ao custo de disponibilidade.
Foto: Ian Muttoo under a CC BY-SA 2.0 license
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