A energia solar fotovoltaica tem se desenvolvido a níveis sem precedentes em todo o mundo. Ultrapassou as expectativas de muitos e superou as apostas de especialistas, apresentando uma capacidade instalada além do que se esperava.
Com esse crescimento, algumas preocupações são levantadas. Uma delas é o impacto da energia solar em uma análise de todo o seu ciclo de vida. Outra, de certa forma complementar à primeira, é o fim da vida dos equipamentos de um sistema fotovoltaico. Ao final de 2016, a estimativa é que o fluxo acumulado de resíduos da indústria solar tenha chegado a 43 500-250 000 toneladas. Isso representa 0,1%-0,6% da massa acumulada de todos os paineis instalados atualmente (4 milhões de toneladas).
Considerando que a média de vida útil de um painel solar é 30 anos, quantidades de resíduos anuais são esperadas para o começo da década de 2030. Para 2050, espera-se que o número de equipamentos desativados seja quase que equivalente ao de novos produtos instalados.
Lidar com o resíduo fotovoltaico será um desafio, mas também abre caminho para novas oportunidades de mercado, além de uma iniciativa interessante ao perfil sustentável que os países devem seguir em sua economia nos próximos anos.
A análise de ciclo de vida é uma ferramenta que analisa os impactos ambientais causados por um produto ao longo de sua vida útil (e mesmo depois!). Ou seja, envolve a quantidade de material e energia demandada pelo produto e a emissão de poluentes e resíduos durante os estágios de uso. Essa análise vai desde a extração de matéria-prima até o manejo do fim de vida do produto, como reciclagem ou reuso.
As etapas que são levas em conta na análise de ciclo de vida de um painel fotovoltaico
A análise de ciclo de vida de um sistema fotovoltaico vai variar muito de país para país, além das diferentes tecnologias (silício cristalino, filme fino e mesmo as variações dessas opções).
Um estudo realizado na Austrália mostrou que os paineis fotovoltaicos são responsáveis por 85% da energia utilizada pra fabricar um sistema. Os inversores ficam com 7%, a fiação com 4% e o transporte outros 4%. No Brasil essa divisão pode mudar um pouco, principalmente a parcela de transporte. Ainda assim, uma coisa fica clara em qualquer mercado: os paineis são os grandes consumidores de energia na manufatura, uma vez que requer diversas etapas, recursos e elementos químicos diferentes.
A estimativa é que entre 1,5 e 2,5 anos, o painel já gerou a mesma quantidade de energia que a que foi utilizada para produzi-lo. Além disso, a energia solar fotovoltaica emite entre 92%-96% menos gás carbônico do que combustíveis fósseis ao longo de sua vida útil (aproximadamente 30 anos), compensando a pegada ambiental em comparação a outras fontes de energia.
A geração de energia pelos paineis e a manutenção do sistema são as etapas com valores mais irrisórios, tanto no consumo de energia para a operação quanto nas emissões de gases causadores do efeito estufa. Isso mostra que ao longo da vida útil (a maior etapa do ciclo de vida) o equipamento fotovoltaico praticamente não causa impactos ambientais. Vale ressaltar que o tempo de retorno energético varia entre 3-6 anos para diferentes locais ao redor do mundo, lembrando que sua vida útil ultrapassa em muito esse tempo.
O gerenciamento dos componentes de um sistema fotovoltaico traz a oportunidade dos países relacionarem cada um dos três R do manejo sustentável de resíduos: reduzir, reusar e reciclar.
Hoje em dia, dois terços dos paineis produzidos são de silício cristalino (c-Si). Sua composição é basicamente 90% de vidro, polímero e alumínio, que são classificados como resíduos não perigosos. Porém os paineis também includem materiais como prata, estanho e traços de chumbo. Paineis de filme fino, em contrapartida, são 98% vidro não perigoso, polímero e alumínio combinados com 2% de cobre e zinco (potencialmente perigosos) e semicondutores e outros elementos perigosos ao ser humano.
Para 2030, devido aos avanços tecnológicos e em Pesquisa e Desenvolvimento, a quantidade de matéria-prima utilizada na produção de paineis de silício e de filme fino vão reduzir consideravelmente. Equipamentos mais eficientes também diminuirão o uso de materiais perigosos e elementos raros, o que facilitará o potencial de reciclagem do equipamento.
Um mercado secundário potencial é o de reuso de equipamentos, principalmente para locais com recursos financeiros limitados e que desejam entrar no setor fotovoltaico. Paineis que passaram por conserto poderão ser vendidos a um preço menor no mercado ou destinados à centro de estudos, como universidades.
O vidro, alumínio e cobre podem ser recuperados com um rendimento superior a 85% da massa do painel. Existem centrais de reciclagem surgindo, principalmente na Europa, onde o mercado fotovoltaico é um pouco mais antigo. Ainda assim é uma novidade. Mais pesquisas e iniciativas serão necessárias, uma vez que o potencial de reciclagem do painel é grande, assim como outros equipamentos de um sistema.
O impacto ambiental positivo a longo prazo é claro: uma maior preocupação com a pegada de carbono, destino correto aos componentes perigosos e eletro-eletrônicos além de que, equipamentos mais eficientes utilizarão menos matéria prima (nos últimos dez anos o uso de silício para um painel já caiu de 16 gr/Wp para menos de 4g/Wp).
O potencial econômico futuro também é atrativo, de acordo com estudo publicado pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) em 2016:

A energia solar é uma fonte renovável e apresenta ótimas vantagens ambientais. A análise de ciclo de vida dos componentes de um sistema fotovoltaico, em especial os paineis, é importante para que a sustentabilidade da geração através do Sol se mantenha por toda a vida do produto.
Nenhuma fonte de energia estará totalmente livre de impactos ambientais. Contudo, é importante notar a situação da energia solar frente à outras fontes como o carvão, ainda muito usado na geração de eletricidade em países como EUA e China. Os impactos ao longo da sua vida útil são muito menores e a emissão de gases poluentes é mais relacionada ao transporte dos equipamentos do que a manufatura e operação do sistema em si.
Assim, o mercado deve incluir pesquisa e investimento para o manejo dos resíduos fotovoltaicos, garantindo que o futuro seja solar e sustentável.
Se você já conhece alguma iniciativa em gerenciamento de componentes fotovoltaicos, conta para gente!
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